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Pedagogia do E-learning – A evolução

October 18, 2011

Uma reflexão sobre as teorias e práticas pedagógicas associadas ao ensino a distância remete-nos para as suas origens e a forma como evoluiu ao longo do tempo.
Observando as formas pioneiras de ensino a distância constantamos que, a base teórica do ensino a distância surgiu da hipótese que era possível ensinar e aprender sem que houvesse um contacto face a face entre professor e estudante. Holmberg (2005)

O ensino a distância evoluiu então do sistema utilizado para alcançar aqueles que de outra forma estariam privados no acesso à educação para um tipo de educação praticado mundialmente com diversos propósitos e finalidades, suportado por instituições com elevado grau de credibilidade como Universidades e empresas dedicadas ao ensino e formação.
Desde o ensino por correspondência aos intrincados sistemas em rede a que estamos ligados diariamente surgiram teorias que foram sofrendo evoluções ao longo do tempo. Como consequência também os modelos pedagógicos se alteraram. Como refere Conole “os modelos pedagógicos estão usulamente alinhados com uma determinada abordagem pedagógica ou teoria de aprendizagem.”
Não podemos colocar de parte a relação existente entre a evolução tecnológica e as práticas pedagógicas possibilitadas pela evolução e desenvolvimento de novas ferramentas que suportam o processo de ensino-aprendizagem.
As práticas pedagógicas poderão também ser influenciadas pelas possibilidades delineadas por determinado sistema, adaptando-se obrigatoriamente a ele. Como refere Anderson “A disponibilidade de tecnologias para suportar diferentes modelos de ensino influencia fortemente o tipo de modelo que pode ser desenvolvido”
Anderson situa as pedagogias de ensino a distância em três gerações ordenadas pelo seguimento cronológico do seu aparecimento/utilização.
– Cognitivo-Behaviorismo
– Sócio Construtivismo
– Conectivismo
O Cognitivo-Behaviorismo centra-se maioritariamente na aquisição directa do conhecimento, nas aprendizagens com resultados capazes de serem medidos e observados, na alteração de comportamento.
Trata-se de uma abordagem em que há um grande enfoque, acima de tudo no processo de ensino, considerando-se que o processo de aprendizagem se encontra relativamente a este, bastante dependente.
Necessita de uma orientação e acompanhamento elevado, com uma boa estruturação de objectivos e avaliação de desempenho.
Esta abordagem define a primeira fase do ensino independente a distância mas que continua a ter utilidade especialmente em programas de treino ou de formação em larga escala em que a aprendizagem é orientada ao conteúdo.
O Sócio-Construtivismo coloca ênfase na importância da comunicação e da interacção para as aprendizagens.
Remete-nos para a componente social de aprendizagem e para a interferência que as aprendizagens já adquiridas poderão assumir nas novas aprendizagens. A aprendizagem é um processo activo e o contexto em que é desenvolvido tem um papel preponderante. O professor é visto então como um guia que ao invés de emitir directrizes rígidas serve de facilitador das aprendizagens.
No ensino a distância estas práticas pedagógicas foram reforçadas com o aparecimento de tecnologia que aumenta as capacidades de comunicação entre os diversos agentes educativos, nomeadamente com o aparecimento e disseminação da internet (Anderson, 2011).
O Conectivismo, encarado por uns e refutado por outros como sendo a nova teoria de ensino a distância é a mais recente geração da pedagogia aplicada ao ensino a distãncia.
Tendo como percursores George Siemens e Stephen Downes, esta visão, nascida na sequência da evolução recente dos sistemas e tecnologias em rede, assume que o conhecimento e aprendizagem decorrem da construção e manutenção de conexões em rede.
Não se pretende que toda a informação transacionada seja memorizada, mas sim que cada aprendente tenha a capacidade de seleccionar e filtrar os elementos necessários à construção do seu conhecimento.
Assume-se no entanto que o estudante tenha a capacidade de acesso a estas complexas redes de informação e que para além de consumidor dos conteúdos disponíveis, seja ele próprio criador e participante na partilha e disseminação de recursos acessíveis à rede.
No conectivismo o ponto de partida do proceso de aprendizagem ocorre quando o aprendente conecta e fornece informação numa comunidade de aprendizagem. (Kop and Hill, 2008)
Ainda segundo os autores, para o modelo conectivista, uma comunidade é descrita como um nó que está integrado numa rede ainda maior. A rede e a interligação de dois ou mais nós interligados que permite a partilha de recursos armazenados sob diversos tipos de formato digital
Devido à constante renovação de informação o aprendente deverá ter a capacidade de lidar com essa mudança assumindo um papel activo nessa renovação e redistribuição da informação recebida. Segundo Siemens (2004), deverá ainda ser capaz de estabelecer ligações em campos que por vezes não se encontram interligados.
Novas interacçoes e aprendizagens tomam lugar. Graças à capacidade de partilha de conhecimentos entre experts e inexperientes, o acesso global a recursos e a possibilidade de colaboração e publicação extendem-se a uma audiência de dimensão mundial (Dabbagh, 2005).
Esta partilha é suportada não só pelas ferramentas de comunicaçao que permitem que essa partilha aconteca entre as comunidades de aprendizagem, mas também por softwares livres e recursos abertos que permitem o acesso e a criação de conteúdos.
É importante realçar que as teorias acima descritas não foram radicalmente substituídas, à medida que ao longo da evolução cronológica uma nova teoria ia surgindo. A sua utilização continua a ser aceite uma vez que cada uma serve determinado propósito e circunstância específica.

Conclusão
A análise da evolução dos modelos pedagógicos associados ao ensino a distância e em particular ao e-learning, ajudam-nos a compreender a interligação entre os pressupostos pedagógicos e o desenvolvimento tecnológico. Cientes das potencialidades que representa consideramos que a tecnologia não deverá assumir um carácter determinista mas sim ser o potenciador de novas práticas que conduzam a aprendizagens eficazes e completas.
A preparação dos professores e tutores para a constante evolução é fundamental, sendo essencial que possuam um espírito de abertura e de adaptação a novas realidades onde não só ensinam como também aprendem. Estes novos desafios reflectem-se também no papel assumido pelo estudante que assume cada vez mais uma posição participativa na construção das suas aprendizagens e do seu percurso formativo, sendo simultaneamente receptor e produtor de conteúdos.

Referências Bibliográficas
Anderson, T., & Dron, J. (2011). Three generations of distance education pedagogy. IRRODL. Disponível em: http://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/view/890.
Anderson, T. (2010). Three Generations of Distance Education Pedagogy. IRRODL. Disponível em:
http://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/viewArticle/865/1551.
Connole, G. (2011). Review of Pedagogical Models And Their Use In Elearning. Disponível em: http://www.slideshare.net/grainne/pedagogical-models-and-their-use-in-elearning-20100304.
Dabbagh, N. (2005). Pedagogical models for E-Learning: A theory-based design framework. International Journal of Technology in Teaching and Learning, 1(1), 25-44.
Holmberg, B. (2005). The Evolution, Principles and Practices
of Distance Education, Bibliotheks- und Informationssystem der Universität Oldenburg. Disponível em: http://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/viewArticle/865/1551.
Kop, R., & Hill, A. (2008). Connectivism: Learning theory of the future or vestige of the past? Disponível em: http://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/view/523/1103
Siemens, G. (12-12-2004). Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. elearnspace. Disponível em: http://www.elearnspace.org/Articles/connectivism.htm

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