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Os desafios do Professor Online

November 3, 2011
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A constante evolução tecnológica traz à educação, aos sistemas e agentes educativos novos desafios e inevitavelmente novas formas de ensinar e aprender.
Debruçando a nossa atenção no ensino a distância e especificamente no ensino online, onde a referida componente tecnológica assume um papel crucial não poderemos ficar indiferentes à forma como os agentes envolvidos se reposicionam adaptam e melhoram práticas com o objectivo final de metodologias de ensino mais eficazes e profícuas.

É interessante compreender o tipo de modelos existentes quando falamos em ensino online. Duart & Sangrà, (1999) em Morgado (2001) propõe-nos três modelos de práticas correntes em contextos online.

Modelos mais centrados no Professor e no processo de ensino em si. As técnicas e estratégias são transpostas do ensino presencial para a realidade online com recurso às Novas Tecnologias da Informação e Comunicação e os métodos do ensino utilizados baseiam-se na transmissão da informação.

Modelos mais centrados na Tecnologia, em que as ferramentas tecnológicas adaptadas assumem um papel de destaque, remetendo para segundo plano o papel do professor e do aluno, em que o primeiro é o fornecedor do conhecimento e o segundo o mero receptor, estando a transmissão do mesmo a cabo da tecnologia utilizada.

Os Modelos mais centrados no Estudante, focam-se mais na figura central do estudante e remetem-nos para os ambientes de autoformação e autoaprendizagem em que é dada especial atenção ao papel do estudante no seu processo de aprendizagem.

Gradualmente as práticas de ensino vão sendo alteradas por forma a responderem às necessidades específicas do ambiente em que são praticadas e à população-alvo a que se referem. Especificamente em ambientes online, é importante que haja um equilíbrio entre os agentes educativos e a tecnologia que suporta o processo em si.

Será o papel do professor presencial tão distinto daquele que desempenha o professor em contexto online? Anderson (2008) refere que ensinar e aprender em ambiente online é em muito semelhante ao ensino-aprendizagem realizado noutro qualquer contexto de educação formal. As necessidades dos alunos são avaliadas, o conteúdo é negociado, as atividades educativas são orientadas e a aprendizagem é avaliada.

Que qualidades deverá então possuir um e-professor? Antes de mais, e como o autor sugere um excelente e-professor tem de ser acima de tudo um excelente professor. Deverá ter a capacidade de se relacionar com os seus alunos, possuir um grau de conhecimento confortável no seu domínio de ação, competências que permitam a compreensão do processo de aprendizagem e um rol de ferramentas e de atividades de aprendizagem que possibilitem a motivação e a condução a uma aprendizagem eficaz.

Estando a operar em contexto online, é imprescindível que possua um domínio técnico dos ambientes em que desenvolve a sua atividade. Não se espera que seja um expert a nível tecnológico, no entanto deverá possuir as competências necessárias a uma navegação segura com contributos favoráveis para o contexto em que se insere transmitindo uma ideia de confiança e sendo capaz de reagir eficazmente a pequenos problemas que apareçam procurando uma solução célere e eficiente.

O modelo conceptual desenvolvido por Garrison, Anderson and Archer (2000) em Anderson (2008), denominado de “comunidade de inquirição” postula que as aprendizagens eficazes estão intimamente relacionadas com diferentes níveis de três tipos de presenças: A Presença Cognitiva, associada a um ambiente que suporte uma aprendizagem em torno de um crescente espírito crítico, a Presença Social  que pressupõe que os intervenientes se sintam num ambiente confortável onde o trabalho colaborativo e em equipa é privilegiado e no caso do ensino formal a Presença de Ensino em que o professor tem o papel fundamental de desenhar, organizar e gerir a experiência de aprendizagem, antes, depois e durante o estabelecimento da comunidade de aprendizagem.

A implementação e desenvolvimento das atividades,  o papel de moderador dentro do grupo, e especialmente a criação deste tipo de presença de ensino embora assumidos pelo professor poderão nalguns casos ser também assumidos pelos alunos que formam a comunidade.

O formador online deverá ser capaz de desenhar e organizar um contexto de aprendizagem que seja apropriado às necessidades dos estudantes, competências do professor, objectivos da aprendizagem e do programa de estudo. O desafio reside então numa correta mistura de todos estes ingredientes numa conjuntura atual em que os constrangimentos financeiros são tão visíveis (Anderson, 2008)

O papel desempenhado pelo professor enquanto facilitador ganha uma dimensão ainda de maior destaque à luz das mais recentes teorias de aprendizagem. Segundo as perspectivas conetivistas que privilegiam a criação e manutenção de redes, o professor ao invés de uma posição de controlo, revela a sua influência enquanto o elo que, respeitando a individualidade dos estudantes, os conduz a interpretações complexas e profundas do assunto em estudo.

Em suma…

O professor online ao longo do processo de criação e adopção de novos contextos e ferramentas deverá apresentar uma postura de resiliência, capacidade de adaptação, inovação e perseverança transmitindo a confiança necessária.Utilizando os diversos recursos tecnológicos de que dispõe o professor online é também responsável pela construção do processo de ensino-aprendizagem em ambiente virtual.

Reside sobre si a expectativa de conseguir criar um ambiente favorável à construção do conhecimento através da partilha de informação e de uma reflexão conjunta que conduza simultaneamente a um processo de autonomia de cada interveniente mas também de cooperação. O foco está assim no processo de comunicação e de que como o professor é capaz e estimular esse processo. É necessário que possua uma rede de saberes que permita a interação e troca de informação que conduz à construção do conhecimento.

 

Referências

Anderson T.(2008). Teaching in an Online Learning Context. In Anderson, Terry (Ed), Theory and Practice of Online Learning. Athabasca University: Au Press (2ª Ed.) Disponivel em: http://www.aupress.ca/books/120146/ebook/14_Anderson_2008Theory_and_Practice_of_Online_Learning.pdf

Couros, A. (2010). Theaching & Learning in a Networked World. Keynote na conferência Quest 2010 [Video e Slides]. Open Thinking. Disponível em: http://educationaltechnology.ca/couros/1890 Downes, S. (2005). e-Learning 2.0.eLearn Magazine. Disponível em: http://elearnmag.acm.org/featured.cfm?aid=1104968#body-1

Morgado, L. (2001). O papel do professor em contextos de ensino online: Problemas e Virtualidades. Discursos. III Série, n.º especial, pp.125-138. Universidade Aberta. Disponível em: http://www.univ-ab.pt/~lmorgado/Documentos/tutoria.pdf

Paloff, R. & Pratt, K. (2010). The Excellent Online Instructor [Podcast]. Online Teaching and Learning. Disponível em: http://www.onlineteachingandlearning.com/podcast-palloff-pratt/

Simens, G. (2010). Teaching in Social and Technological Networks. Connectivism. Disponível em: http://www.connectivism.ca/?p=220

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